Todo mundo quer ser autônomo, mas nem todo mundo tem talento

Essa semana fez 10 meses que eu pedi demissão em plena crise para seguir carreira solo no Inbound Marketing e várias pessoas me perguntam como estou e se estou feliz. Por trás dessa pergunta, há o desejo de saber se estou faturando bem ou se me arrependi de ter tomado essa decisão.

Quando respondo que estou bem e feliz elas logo se empolgam e se encorajam para me dizer que pensam em fazer a mesma coisa e me perguntam se eu aconselho a fazer isso. Eu respondo sempre de forma a não tirar a esperança de ninguém, mas confesso que há uma grande responsabilidade nisso.

Eu tenho visto muitos consultores de marketing digital, coaches e autônomos de todo jeito viralizados em todas as áreas, (faço minha ressalva aos que decidiram isso fazendo um bom planejamento antes), mas eu tenho ficado assustada com a juniorização do mercado.

Tem muita gente virando autônomo simplesmente porque foi demitido ou por falta de opção. Também vejo pessoas que fazem isso porque querem a liberdade de fazer seu horário, mas não estão dispostas a pagar o preço por isso.

Vejo novos consultores e assessorias que meses atrás eram estagiários nas empresas que trabalhavam e de repente querem vender serviços profissionais. Não passaram por um amadurecimento na sua área e por ter pouca expertise oferecem um serviço amador, sem nem se dar conta disso.

Nessa semana eu passei por uma situação bem chata, que me motivou a escrever esse artigo. Foi assim..

Movida pela vontade de ajudar pessoas, recentemente precisei de um serviço na minha casa e decidi contratar um profissional que eu conhecia, mas que estava iniciando como autônomo. Eu julguei que ele tinha conhecimento de causa e que por ser conhecido era mais seguro, se tratando de pessoas que adentram ao meu lar.

Bem, o serviço foi feito mas eu não senti segurança e carisma no atendimento. Passado um mês, verifiquei que o problema voltou e acionei a garantia pelo serviço, liguei para o ser humano que disse estar ocupado naquela semana.

Com toda minha compreensão de também ser autônoma, entendi e respondi que eu esperava para a próxima semana e ainda cai na bobeira de dizer que não tinha pressa. Essa pessoa demorou 4 meses para voltar na minha casa e consertar o serviço mal feito, que no outro dia voltou a dar problema. Irritada, mas sem perder a educação liguei novamente e a pessoa me falou que no outro dia viria.

Cancelei minhas agendas e fiquei esperando o ser humano aparecer e nada, isso se repetiu por 4 dias seguidos. Passado uma semana desisti e paguei novamente, outro profissional. Este novo Profissional, também autônomo, me atendeu no mesmo dia em que liguei e resolveu de vez o problema do mal serviço anterior.

Eu assumo que o erro na verdade foi meu, eu que escolhi errado. Não verifiquei a credibilidade antes, não pedi nota fiscal e nem indicações. Mas eu queria dar uma chance a quem estava começando e era da minha rede de contatos, paguei o preço.

Ser autônomo ou abrir uma empresa exige pessoas bem capacitadas, processos bem definidos e um produto ou serviço muito bom. Se você não está preparado para lidar com instabilidade, vendas, atendimento, ser organizado e muito profissional, não desce pro play, é sério.

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Sobre a autora

Gleicy Laranjeira é graduada em Relações Públicas e especialista em marketing, tem 10 anos de experiência e já atuou tanto em empresas como em agências. Agora oferece serviços de assessoria em Inbound Marketing, para empresas que estejam prontas para vender mais e investir em um marketing de resultados, não de vaidade.

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